Brasov.


Estrada que atravessa a linha férrea, algures na Roménia. 14/03/08



Aspecto de uma vila "chausesca". O ditador procurou reformular todo o conceito habitacional do país construindo prédios habitacionais mesmo nas mais pequenas aldeias. 14/03/08




Sem alegorias nem poesias, a estrada dispõem-se; como um cachecol estica ao vento quando seca. A inevitabilidade não é um sofrimento, é uma razão.
Acordei com o som trincado do comboio e um céu trágico alongava-se sob a planície romena, a uma de hora de distância da Transilvânia.
Quem sabe como a floresta toca o espirito, os espaços fechados e o canto do mocho? Se o houvera, tocou de certeza como nunca tocara noutros tempos. Aqueles homens solitários, sóbrios com a dor e a fome, homens que viveram até morrer amedrontados das trevas daqueles bosques sem estradas, como os coelhos hoje vivem até morrer. A tragediografia não pode prever os espaços, mas os ânimos de uma floresta podem pintar a alma de um homem.
Os tempos são outros. Para a solidão encontrámos ferramentas, para a fome nem por isso. Chego ao cais de Brasov, no coração da Transilvânia, a meio caminho para Bucareste. Saí quando flocos de neve pintam o meu sobretudo escuro.

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